
No período de 2000 a 2003 Maria Lucia dos Santos foi representante do Brasil no Conselho Administrativo da FIMEM. A professora Maria Lúcia faleceu no dia 17 de setembro de 2003, quando exercia mandato junto ao Conselho de Administração da FIMEM - Federação Internacional do Movimento de Escola Moderna, ocupando o cargo de secretária. A sua eleição aconteceu durante a assembléia, na RIDEF-Reunião Internacional dos Educadores Freinet, realizada no ano 2000, na Áustria. Maria Lúcia foi indicada pelos educadores brasileiros, por unanimidade de votos, na assembléia realizada por ocasião do V ENEF - Encontro Nacional dos Educadores Freinet, realizada em julho de 1999, na cidade de Belo Horizonte/MG.
Maria Lúcia era sócia da ABDEPP/Freinet e desenvolvia diversas atividades na cidade de São Paulo, tendo como norte a Pedagogia Freinet, além de ter desenvolvido trabalhos no Brasil inteiro. Editou o livro "A expressão livre no aprendizado da Língua Portuguesa Pedagogia Freinet", publicado pela Scipione.
A ABDEPP/Freinet poderia ter indicado um outro educador ou educadora para ocupar a vaga, no CA da FIMEM, deixada por Maria Lúcia, até a conclusão do seu mandato, em julho de 2004. Entretanto, nenhum associado brasileiro candidatou-se ao cargo, conforme consulta nacional.
Nos Anais do VII ENEF- Encontro Nacional dos Educadores Freinet, realizado em julho de 2001, no Estado do Rio Grande do Norte. Encontra-se um pronunciamento proferido por Maria Lúcia dos Santos, durante a abertura do citado evento, o que apresentamos a seguir:
Um longo caminhar nos trouxe aqui às margens da Lagoa do Bonfim, em São José do Mipibu – RN, para fazermos acontecer o VI Encontro Nacional de Educadores Freinet. Somos 220 educadores e viemos de, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraíba, São Paulo e Itália, e estamos sendo carinhosamente acolhidos pelos companheiros do Rio Grande do Norte.
O nome Freinet nos remete simultaneamente a três universos intimamente interligados:
Inúmeros foram os contatos promovidos por Launay entre aqueles que demonstravam se identificar com as idéias freinetianas: em São Paulo, Santa Catarina, Niterói/RJ, Ceilândia/DF, Belo Horizonte/MG, Salvador/BA. Foi, pois, a convite de Launay, que no início da década de 70, Flaviana Marchesi Granzotto, em Santa Catarina, Rosa Maria W. F. Sampaio, Maria Inez Cavalieri Cabral e eu em São Paulo ingressamos na caminhada. Por essa razão, conquistamos o título de “jurássicas”!
Inúmeros também foram os eventos por ele promovidos para a divulgação da Pedagogia Freinet no Brasil. Para exemplificar, podemos citar:
Tais eventos, por sua vez, deram origem a muitas outras iniciativas, dentre as quais dois estágios internacionais de Pedagogia Freinet, realizados em Blumenau-SC, sob a coordenação da Profa. Flaviana Marchesi Granzotto.
Na década de 70, observa-se também a implementação da prática da Pedagogia Freinet em diversas escola brasileiras.
Na França, onde realizava seus estudos de doutorado, Djanira Brasilino de Souza, em 1979, entrava em contato com a Pedagogia Freinet. [Ao retornar para Natal, criou a Base de Pesquisa sobre a Pedagogia Freinet na UFRN e, em 1996, assessorou a equipe de professores que fundou a Escola Freinet de onde é Assessora Pedagógica até os dias atuais]. (Nota acrescida pela organizadora dos Anais).
Riscos, incompreensões, frustrações, mas também a felicidade das conquistas, o florescimento da amizade, o entusiasmo das experiências produtivas e a força dos saberes trocados e acumulados vêm, ao longo dessas três décadas, impulsionando esse caminhar que nos levou a Campinas, em 1989, para o nosso I Encontro Nacional; a Carpina-PE, em 1991, para o II; a Erixim-RS, em 1993, para o III; a SP, em 1996, para no Seminário realizado pela PUC em comemoração ao centenário do nascimento de Freinet; a Curutiba-PR, em 1997, para o IV Encontro; a Belo Horizonte, em 1999, para o V e, que hoje, dia 11 de julho de 2001, fez-nos chegar aqui no Rio Grande do Norte, para o VI Encontro Nacional de Educadores Freinet do Brasil.
Em nome do Conselho de Administração da FIMEM – Federação Internacional dos Movimentos de Escola Moderna, do qual, desde julho de 2000, faço parte, desejo a todos um bom trabalho e que as experiências vividas e trocadas, durante este encontro contribuam de forma significativa para que avancemos no difícil aprendizado do trabalho cooperativo e na construção de uma escola em que o prazer de educar, de mãos dadas com o prazer de descobrir, de construir e de criar manifeste-se através de olhos perspicazes e respeitosos, de ouvidos críticos e justos, de palavras ricas e honestas, de ações dignas, das páginas coloridas de sabedoria, de amor e de vida.